segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A incapacidade de traduzir em palavras

Venho através desse post romper um longo tempo de silencio, por conta dessa canção, que abro espaço logo abaixo para que quem não assistiu, faça um favor a si mesmo em assistir:
Esse vídeo me remete a total incapacidade de traduzir um sentimento, e a essência do individuo humano, em grande medida sentimentos de toda ordem e forma em palavras.
Quem sabe de algumas dos problemas de um dos atores do videoclipe oficial da cantora Sai, que tem como bailarino o ator Shia LaBeouf consegue identificar a sua luta encenada contra o vicio do álcool e tambem da clausura da fama e todos seus dilemas pessoais muito bem dramatizados pela musicalidade.
Mas, sobretudo para compartilhar a reflexão que essa musica e esse clipe encenado proporciona. Como o tema do mais recente álbum da banda norte-americana Foo Fighters, Sonic Highways, cuja proposta é, toda cidade tem sua musica, toda musica tem sua historia. Essa é a historia das prisões. Prisões essas que são individuais, coletivas, materiais e invisíveis, reais e imaginarias.

Essa é uma musica que remete ao grito, ou pelo menos a angústia proporcionada pela varias formas de aprisionamento e que em muitas vezes é acompanhada da incapacidade do próprio individuo em se libertar.

terça-feira, 31 de março de 2015

do povo e para o povo, mas nao por ele mesmo - nova edição da revista critica penal y control (U. Barcelona)

venho divulgar recente publicado do mais novo numero (8) da revista Critica Penal y Poder da Universidad de Barcelona (2015) contendo artigo intitulado "do povo e para o povo, mas não por ele mesmo: o sistema penal no controle/limitação da democracia" de minha autoria, e que versa sobre a criminalização dos movimentos sociais, mais especificamente analisando a repressão das manifestações que ocorreram no Brasil no ano de 2013.
A edição da revista pode ser acessada na integra no link, http://revistes.ub.edu/index.php/CriticaPenalPoder
Segue o mesmo abaixo o artigo completo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

a mulher e o sistema penal

artigo recentemente publicado na ultima edição da revista de Estudos Jurídicos da UNESP em Franca SP, em seu numero 27 v. 18.

mais um trabalho resultado das atividades de pesquisa, e que ingressa na jovem existência do Grupo Latino-Americano de Criminologia Critica (UNESC);

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O presente de Natal do Grinch

O pacote de reformas do Governo pega em cheio a população, e me decepciona e muito. Ainda que não tenha votado, por estar fora do meu domicilio eleitoral, mas mesmo assim me decepciona muito, pois tomei partido no segundo turno da eleição. E me surpreende negativamente, justamente por partir do núcleo central do governo, se partisse de uma proposta de algum deputado, não seria tanto, ainda que da bancada do PT que tem força importante no congresso. Mas sim por partir do executivo, recém reeleito por grande parte da massa popular do pais, que será diretamente afetada e profundamente com esse reforma.

Isso me comprova o que o próprio Loic Wacquant já falava, as politicas neoliberais independem de pais de esquerda ou direita, mas sim de uma politica neoliberal que é transnacional (Wacquant, 2012).

Mas para mim, se fortalece uma outra reflexão que faço há algum tempo. Quando os agentes penitenciários fazem paralisação por melhores salários (e eles tem os piores salários da segurança publica), quem ajuda na manifestação? Um redondo NINGUEM. Quando os policiais militares fazem manifestação ou paralisação por melhores salários, e seus salários também são ridículos! Quem ajuda e apoia. Outro redondo NINGUEM.

E fica todo mundo estarrecido quando ocorre alguma manifestação, em geral de mudanças que afetam a camada media da sociedade, universitários como importante massa manifestante e são severamente e violentamente reprimidas pelos agentes policiais, que nesses momentos, não são mais que cães do governo. E não se veem identificados com as pautas da manifestação, e cumprem seu trabalho (com os excessos que são típicos da atuação do sistema penal, é claro; mas cumprindo o que lhes é determinando enquanto empregados que são!).

Isso demonstra a fragmentação em que se vive, ou seja, estamos todos preocupados unicamente com os próprios problemas, e com as mudanças que nos afetam diretamente; como se pode verificar nas manifestações do ano passado – as quais eu acreditava, ao inicio, que poderiam efetivamente ser um momento de transformação – mas logo em seguida demonstraram não ter qualquer pauta politica coletiva e consciente, e que não se passava de um mero espasmo coletivo, ou como diria Marcelo Yuca, um inconsciente popular (e em muitos momentos não tão popular assim).

Tendo em vista que, as manifestações se formam de grupos totalmente isolados, imbuídos dos próprios interesses (egoisticamente); sem uma consciência enquanto coletivo e que as pautas são interligadas, e que só se tem força enquanto coletivo social e popular; afora essa possibilidade, não se passam de pequenos espasmos que o governo não tem qualquer dificuldade em dissipar.

Nem tão popular, porque muitas das manifestações tem como pauta questões que a grande massa popular não comunga, desconhece. Por exemplo, o aumento no preço da gasolina, ou mudança nas alíquotas de imposto de renda ou elevação drástica no IPTU (como tem ocorrido em Pelotas); enfim.. questões que causam comoção, indignação, e alguma forma de protesto, cuja chance de ser reprimida é grande.

Ano passado, quando ocorriam as manifestações e quando a pauta delas se alargou, demonstrando sua completa inconsciência politica.. eu pensava.. quando vai ocorrer uma manifestação pela reforma da PREVIDENCIA SOCIAL? Ou vamos esperar que as pessoas doentes, idosas, mutiladas, com sérios e incapacitantes problemas de saúde saiam as ruas para protestar.. elas que serão seriamente afetadas por essa reforma, além de outras tantas.. e esse sim é um grupo popular, da camada mais inferior da sociedade, e que não tem representatividade politica alguma, pois não são universitários.

É necessário que se tome como prioridade pautas gerais, que atingem a sociedade para além da sua pequena e media burguesia (classe media), e sim questões populares, além de da necessidade de se identificar com as mais variadas frentes de luta com consciência politica; pois a perspectiva é de retrocesso dos direitos sociais em geral – e essa reforma é sim, retrocesso de direitos sociais!!!


Ou seja, essa postagem, como há tempos não fazia, é para compartilhar uma reflexão, e um desabafo, diante da conjectura (que se apresenta mais como estrutural) da politica e, sobretudo, da conformação da nossa sociedade civil indolente.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Repensar os DH no Horizonte da Libertação - Alejandro Rosillo



Divulgando recente trabalho do professor Alejandro Rosillo Martinez, da Universidad Autónoma de

San Luis de Potos (Mexico) sobre os Direitos Humanos e a Teoria Critica na Perspectiva da Filosofia da Libertação, traduzido por Lucas Machado, e publicado no Brasil através dos Cadernos o Instituto Humanitas da UNISINOS..

IHU ideias Rosillo.pdf by Jackson da Silva Leal

sábado, 27 de setembro de 2014

lançamento da revista praia vermelha.. n. 23

Revista Praia Vermelha PPGSS UFRJ, v. 23, n. 1 jan-jun 2013
lançamento dia 02 de outubro de 2014 com palestra de Yolanda Guerra e Virginia Fontes..
um dos melhores trabalhos que tenho acompanhado em revista cientifica.. revisão e editoração impecável.. fiquei muito honrado em contribuir com esse numero da revista.. e com um artigo que particularmente gosto muito"a politica social e a politica criminal na Governabilidade moderna: 10 anos de governo do PT"
com uma linha editorial e posição teórica clara.. recomendo muito!
após o lançamento, o material estará todo disponivel no sitio da revista,
http://praiavermelha.ess.ufrj.br/




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Uma voz obediencial no Sul - Pepe Mujica - ONU 2013 - conferencia completa

Venho interromper o silêncio e a inatividade do blog para repassar e divulgar a conferencia do Presidente da República do Uruguai José Pepe Mujica, (abaixo e na integra ) e que traz um discurso dissonante entre os demais representantes e que tenderia a qualifica-los de seus pares, entretanto, me parece que tal qualificativo seria um desprecio a figura de Mujica, que, retomando uma categoria de Enrique Dussel, tem se feito um sujeito Politico que faz politica como processo histórico e democrático (participativo) e que manda obedecendo, uma politica obediencial - e por isso, não se confundindo com os demais estadistas lá presentes. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Jornada "Literatura, Direito e Justiça Social" - homenagem à Manuel Scorza


 


Divulgação de Jornada de Direito e Lituratura em Homenagem à Manuel Scorza, organização conjunta da Universidad Autónoma de Aguascalientes, Universidad Autónoma de San Luis de Potosí e Universidade Federal de Santa Catarina..

Ocorrerá nos dias 14 e 15 de novembro de 2013, em San Luis de Potosí (Mexico)

Prazo para envio de resumos: 10 de outubro de 2013

Eixos Temáticos: 
Eje temático 1: Literatura y justicia social
El objetivo de este eje es relacionar la puesta en escena, por parte de la literatura, de situaciones que dan pie a la pregunta por la justicia social y los diferentes puntos de vista teóricos desde los cuales el derecho aborda el problema de la justicia social. 

Eje temático 2: Literatura, democracia y poder
El objetivo de este eje es ofrecer la posibilidad de contrastar la manera en que la literatura pone en juego el problema de la relación entre democracia y poder, la manera en que se imagina la democracia, en que plantea las alternativas para oponerse al poder, entre otras cuestiones.

Eje temático 3: Literatura y género 
Este eje tiene como propósito fomentar la reflexión acerca de la manera en que la cuestión del género es tratada en la literatura. Reflexionar sobre las diferentes maneras de ver y entender el contexto social y su relación con el género, muchas veces desde perspectivas poco accesibles e incluso marginales, lo cual abre la posibilidad de considerar posibilidades concretas de dominación y resistencias. 

Eje temático 4: Literatura, revolución y cambio social 
En este eje se puede explorar la manera en que el derecho y la política son retomados, reclamados e interpretados por la literatura. Hablar de revolución y cambio social implica tomar distancia de aquello que se quiere cambiar así como tener claro de qué es lo que no puede continuar siendo de la misma manera. 

Eje temático 5: Literatura, derechos humanos y movimientos sociales 
La literatura permite superar el imaginario positivista, formal y estatalista de los derechos humanos, conduciéndonos a una comprensión compleja de ellos. Nos muestra el “derecho narrado”, es decir, las maneras concretas en que grupos y movimientos sociales reivindican la satisfacción de las necesidades de producción y reproducción de su vida ante sistemas que los victimizan.

a) El resumen o abstract de la ponencia deberá enviarse en formato PDF, DOC, DOCX, 
RTF o similar, en media cuartilla (tamaño A4) de extensión, en español o en portugués, 
con letra Times New Roman, tamaño 12 e interlineado 1,5 al correo electrónico (esperar 
el acuse de recibido): jornadaliteraturayderecho@gmail.comb) La fecha límite de recepción de resúmenes es el 10 de octubre de 2013. A partir del 18 
de octubre de 2013, se notificará de su aceptación o no. 
c) Es importante que en el resumen se señalen con claridad las obras literarias o los autores 
que serán tratados en la ponencia. 
d) A más tardar el 13 de diciembre de 2013, el ponente entregará a los organizadores su 
ponencia completa, en formato .DOC o .RTF, con el fin de ser sometidas a arbitraje para 
ser publicadas en las Memorias de las Jornadas, en versión electrónica con ISBN. 
e) La hoja del resumen debe venir con nombre completo, datos de formación académica, 
vínculo profesional o académico, y correo electrónico. 
f) El archivo del resumen debe venir nombrado con el número del eje y el título de la 
ponencia. Por ejemplo: 1_Scorza_y_la_justicia_social.docx

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Da Regulação à Emancipação: a juventude e uma nova política mestiça subvertendo o paradigma da politica judicializada - revista Publico e Privado 2012-2 UECE

Divulgando o mais recente numero da Revista Publico e Privado, do programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que traz o Dossiê Juventude e Politicas Publicas, contendo o artigo intitulado "Da Regulação à Emancipação: a Juventude e uma nova politica mestiça subvertendo o paradigma da política Judicializada" mais um resultado da proveitosa parceria com a professora Dra. Raquel Fabiana Lopes Sparemberger, no decorrer do curso de mestrado..
A revista pode ser acessado na íntegra no link: http://www.seer.uece.br/?journal=opublicoeoprivado&page=index



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Criminologia Critica e Controle Penal no Brasil Contemporâneo - PPGD e UsM/UFSC

Divulgando atividade do Universidade Sem Muros/UFSC, financiada pelo Programa de Pos-Graduação em Direito (PPGD) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que organiza seminário Criminologia Critica e Controle Penal no Brasil Contemporâneo, que ocorrerá nos dias 20 e 21 de junho no Auditório do Centro de Ciencias Juridicas (CCJ/UFSC), inscrições gratuitas e limitadas no blog do Universidade Sem Muros:
http://universidadesemmuros.blogspot.com.br/2013/06/criminologia-critica-e-controle-penal.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+UniversidadeSemMuros+(Universidade+Sem+Muros)


programação:

20/06
19 -22h
Lançamento do livro - pelas mãos da criminologia: o controle penal para alem da (des)ilusão da professora coordenadora do Universidade sem Muros Vera Regina Pereira de Andrade.

Lançamento da Seção Catarinense da Associação Latino-Americana de Direito Penal e Criminologia (ALPEC)


21/06
8:30 -12h Conferencia com Nilo Batista - 
14:30-18h conferencia Vera Malaguti Batista

Acrescenta-se ainda, no dia 18 de junho, também do auditório do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ/UFSC) a conferencia acerca da Justiça Restaurativa com o professo João Salm, da Alberta University do Canadá, que ocorre a partir das 8:30 h e que tem entrada gratuita. 



terça-feira, 14 de maio de 2013

revista Latino-americana de Direitos Humanos (HENDU-UFPA), vol. 3, n. 1 (2012)

Lançada a mais recente edição da Revista HENDU Latino-americana de Direitos Humanos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que está em seu vol. 3, n. 1, referente ainda a 2012..e que contém o artigo intitulado, "as cronicas do capital - a viagem do peregrino da alvorada: o (re)nascimento emancipatório dos direitos humanos". O artigo pode ser lido abaixo, e também, acessado o conteúdo integral da revista, no link: http://www.periodicos.ufpa.br/index.php/hendu 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

a episteme performativa do crime e a resposta cíclica de violência oficializada - rev. Estudos Jurídicos n. 24 UNESP Franca/SP

venho divulgar a mais recente edição da revista Estudos Jurídicos em seu volume 16 n. 24 (2012) do programa de pós-graduação em Direito da UNESP, contendo artigo de minha autoria chamado "a episteme performativa do crime e a resposta cíclica de violência oficializada" alem como diversos outros trabalhos, que podem ser acessados no link abaixo:
http://seer.franca.unesp.br/index.php/estudosjuridicosunesp/issue/current


domingo, 21 de abril de 2013

evento "critica à reforma do código penal" na ESMESC


à semelhança do evento organizado e ocorrido no final do ano de 2012..na EMERJ (escola superior da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro) traz-se para Santa Catarina o evento de discussão e manifestação de diversos autores que se contrapõem ao Projeto de Lei de Reforma ao Código Penal.. evento organizado pela ESMESC, e com apoio do Universidade Sem Muros.. com coordenação acadêmica da professora Vera Regina Pereira de Andrade..

O evento ocorrerá entre 09 e 11 de maio, no auditório da ESMESC, e conta com inscrições gratuitas, no site: 



programação:

09/05 - 9:30 h  abertura

10:30 - a ideologia da reforma penal - Juarez Cirino dos Santos

14h - legislação penal ad hoc: a perda da importância das teorias - Rubens Casara
As penas na reforma penal - Salo de Carvalho

16:30 - analise criminológica critica da reforma penal - Vera Regina Pereira de Andrade
os delitos sexuais na reforma penal - Ana Lucia Sabadell

10/05 - 9h
reformismo socialmente (in)consequente? - Mario Luis Ramidoff
as medidas de segurança na reforma penal - Alexandre Karazawa Takashima
 10:30 - o principio da culpabilidade como expressão do direito penal na reforma - Jacson Zilio
reforma penal e criminalização das drogas - Marcelo Mayora Alvez

14:00 h - A detração penal na lei 12.736 - Jaime Ramos
evolução recente do pensamento penal e processual penal brasileiro, sob a ótica de sua constitucionalização - Jorge Martins
16:30h - a reforma do código penal, mais prisão, menos vergonha (quase) tudo errado - Jacinto Nelson Miranda Coutinho
A reforma penal e o Ministério Publico - Maácia Aguiar Arend
18:30 h - a relação do direito penal e do processo penal na reforma - Geraldo Prado

11/05 - 09:00 h - criminalização dos jogos de azar na reforma penal: contradição entre a lei e realidade social - Katie Arguello
violência urbana, direito penal e responsabilidade social - Marcos Buch

11:00 h - encerramento - os delitos sexuais na reforma penal - Amilton Bueno de Carvalho




quarta-feira, 17 de abril de 2013

a falacia tecnico-garantidora e o itinerario do controle: revista Direitos Humanos e Democracia UNIJUI

primeira edição da Revista Direitos Humanos e Democracia, do mestrado em Direitos Humanos da UNIJUI,v.1 n.1 - 2013.. contendo o artigo de minha autora, denominado A Falacia Técnico-Garantidora e o Itinerário do Controle: o conselho municipal dos direitos da criança e do adolescente" ...que pode ser lido abaixo.. ou acessado este, e todos os demais artigos.. no link https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/direitoshumanosedemocracia



terça-feira, 19 de março de 2013

como (não) se faz um trabalho de conclusão - entrevista com Salo de Carvalho




Entrevista concedida pelo professor Dr. Salo de Carvalho, para o programa Livro Aberto, comandado por Juremir Machado.. tendo a entrevista surgido do livro homônimo publicado pela editora Saraiva, e que diz respeito a angustia em torno de construção de trabalhos científicos sejam eles artigos, papers, monografias de conclusão, dissertações, teses, etc..e esse sentido tanto o livro, quanto a entrevista são imensamente contributivas, para dar sugestões em torno destes obstáculos, desafios, erros comuns, etc....






terça-feira, 8 de janeiro de 2013

CONVITE





CONVITE

Convido para a defesa publica de Trabalho de Dissertação, como requisito para conclusão do curso de mestrado em Politica Social da Universidade Católica (MPS/UCPel), trabalho intitulado "O Sisteme Penal na lente da juventude transgressora: da Politica Social à Politica Penal" de autoria de Jackson da Silva Leal e orientado pela professora pós-doutorado Raquel Fabiana Lopes Sparemberger. Trabalho que faz parte do projeto de pesquisa Direitos Humanos nas Fronteiras Gaúchas coordenado pela professora Dra. Vini Rabassa da Silva e financiado pela Comissão de Aperfeiçoamento Pessoal em Nível Superior (CAPES). A sessão se realizará no dia 15 de fevereiro, na UCPel, campus I, prédio B às 10 horas; e conta com a banca avaliadora composta pelo professor Dr. Luiz Antonio Bogo Chies; professor Dr. Daniel Achutti, e coordenando os trabalhos a professora Dra. Raquel Sparemberger.



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

feliz ano novo (2013) - um desejo a partir das palavras de Vera Andrade

Pensando em uma postagem de fim de ano, em que se entrecruzam e se trocam promessas, expectativas, avaliações, frustrações e esperanças, não vejo melhor desejo para o ano que se avizinha, do que o expressado de forma ímpar pela professora Vera Andrade, cujas palavras reproduzo abaixo e estendo aos leitores, amigos, e todas as pessoas !!:

"De uma Profecia Maia que recitava o fim de uma era, fez-se a apocalipse do fim do mundo. O mundo não acabou!

O que fez com que os humanos profetizassem , aos quatro cantos, seu próprio fim e a fuga desesperada dele, subissem morros, cavassem túneis, conjurassem suicídios coletivos, escrevessem versos de despedidas, planejassem o recomeço, no céu, no inferno, na eternidade?

A força dessa saga de despedida-recomeço, de esgotamento-utopia parece-me que só pode vir da necessidade que a humanidade vive da emergência de um ACONTECIMENTO EXTRAORDINÁRIO, cuja magnitude seja capaz de romper com a mesmice de suas vidas, mergulhadas numa cotidianeidade acelerada, em grande medida violenta, muitas vezes difícil e até insuportável de ser vivida. Do sem sentido da vida às dores multiplicáveis das vidas, o fim DO MUNDO, o nada, simboliza de qualquer modo a possibilidade de um renascimento, e, com ele, da utopia da felicidade, aquela que nos ensinam deva ser perseguida como o ideal limite de dignificar a existência terrena, absurdamente distante da cotidianeidade do ser humano banal.

Como o mundo não acabou, quero CELEBRAR a VIDA que vivemos em 2012 e o ano que vai nascer: que ele venha fértil e fecundo, generoso e despojado , para que possamos focar o simples e o essencial , a ponto de conseguir perceber que o extraordinário está dentro do ordinário, no mais das vezes ofuscado pela nossa própria cegueira."




segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Batman: o cavalheiro das trevas ressurge.. por Slavoj Zizek

Já tinha ouvido falar algumas vezes sobre a analise de S. Zizek sobre o filme, mas, por conta da dissertação, ainda nao havia tido tempo de assistir ao filme com calma..essa ultima noite o fiz... terminei o filme, e corri para a internet, para ler o tal artigo.. que resumo como - maravilhoso!!!!

***
Por Slavoj Žižek.

Confira abaixo artigo inédito, traduzido por Rogério Bettoni, enviado com exclusividade pelo autor para a Boitempo publicar em seu Blog.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge confirma mais uma vez como os blockbusters de Hollywood são indicadores precisos da situação ideológica da nossa sociedade. A narrativa (resumida) se dá da seguinte maneira. Oito anos depois dos eventos de Batman – O Cavaleiro das Trevas, capítulo anterior da saga Batman, a lei e a ordem prevalecem em Gotham City: sob os extraordinários poderes do Ato Dent, o comissário Gordon praticamente erradicou o crime violento e organizado. No entanto, ele se sente culpado pela cobertura dos crimes de Harvey Dent (Dent morreu ao tentar matar o filho de Gordon, salvo por Batman, que assumiu a culpa em nome da manutenção do mito de Dent, levando a uma demonização de Batman como vilão de Gotham) e planeja admitir a conspiração em um evento público de celebração a Dent, mas acaba concluindo que a cidade não está preparada para a verdade. Bruce Wayne, que não atua mais como Batman, vive isolado na própria Mansão enquanto sua empresa desmorona depois de ter investido em um projeto de energia limpa criado para aproveitar a energia nuclear, mas encerrado quando ele descobriu que o núcleo poderia ser transformado em uma bomba. A lindíssima Miranda Tate, membra do conselho administrativo da Wayne Enterprises, convence Wayne a refazer a sociedade e continuar com seus trabalhos filantrópicos.

Aqui entra o (primeiro) vilão do filme: Bane, líder terrorista e antigo membro da Liga das Sombras, consegue a cópia do discurso de Gordon. Depois que as tramas financeiras de Bane quase levam a empresa de Wayne à falência, Wayne confia a Miranda a tarefa de controlar seus negócios, além de ter com ela um breve caso amoroso. (Nesse aspecto ela compete com a gata-ladra Selina Kyle, que rouba dos ricos para redistribuir a riqueza, mas acaba se juntando a Wayne e às forças da lei e da ordem.) Ao descobrir a movimentação de Bane, Wayne retorna como Batman e confronta Bane, que afirma ter assumido a Liga das Sombras após a morte de Ra’s Al Ghul. Depois de deixar Batman gravemente ferido em um combate corpo a corpo, Bane o coloca numa prisão de onde é praticamente impossível fugir. Seus companheiros de prisão contam para Wayne a história da única pessoa que conseguiu escapar: uma criança motivada pela necessidade e pela mera força de vontade. Enquanto o prisioneiro Wayne se recupera dos ferimentos e se prepara para ser Batman de novo, Bane consegue transformar Gotham City em uma cidade-Estado isolada. Primeiro ele atrai para o subsolo a maior parte dos policiais de Gotham e os prende lá; depois provoca explosões que destroem a maioria das pontes que conectavam Gotham City ao continente, anunciando que qualquer tentativa de deixar a cidade resultaria na detonação do núcleo de Wayne, do qual se apoderou e transformou em uma bomba.

Chegamos então ao momento crucial do filme: a tomada de poder por parte de Bane acontece junto com uma vasta ofensiva político-ideológica. Bane revela publicamente o acobertamento da morte de Dent e liberta os prisioneiros detidos pelo Ato Dent. Condenando os ricos e poderosos, ele promete devolver o poder ao povo, convocando as pessoas comuns a “tomarem a cidade de volta” – Bane revela-se como “o manifestante definitivo do Occupy Wall Street, convocando os 99% a se juntarem para derrubar as elites sociais”[1]. Segue-se então a ideia do filme de poder do povo: uma sequência mostra uma série de julgamentos e execuções dos ricos, as ruas tomadas pelo crime e pela vilania… alguns meses depois, enquanto Gotham City continua sofrendo o terror popular, Wayne consegue fugir da prisão, retorna a Gotham como Batman e convoca os amigos para ajudá-lo a libertar a cidade e desarmar a bomba nuclear antes que ela exploda. Batman confronta e domina Bane, mas Miranda intervém e apunhala Batman – a benfeitora social revela-se como Talia al Ghul, filha de Ra’s: foi ela que escapou da prisão quando criança e foi Bane que a ajudou a fugir. Depois de comunicar seu plano de terminar a tarefa do pai de destruir Gotham, Talia foge. Na confusão que se segue, Gordon destrói o dispositivo que permitia a detonação remota da bomba enquanto Selina mata Bane, permitindo que Batman vá atrás de Talia. Ele tenta forçá-la a levar a bomba para a câmara de fusão onde pode ser estabilizada, mas Talia inunda a câmara. Talia morre quando seu caminhão bate, confiante de que a bomba não pode ser detida. Usando um helicóptero especial, Batman transporta a bomba para além dos limites da cidade, onde ela explode sobre o oceano e supostamente o mata.

Agora Batman é celebrado como um herói cujo sacrifício salvou Gotham City, enquanto Wayne é tido como morto nos motins. Após seus bens serem divididos, Alfred vê Bruce e Selina juntos em um café em Florença, enquanto Blake, jovem policial honesto que conhecia a identidade de Batman, herda a Batcaverna. Em suma, “Batman salva a situação, aparece incólume e continua com uma vida normal, enquanto outro o substitui no papel de defender o sistema”[2]. A primeira pista dos fundamentos ideológicos desse final é dada por Gordon, que, no (suposto) enterro de Wayne, lê as últimas linhas de Um conto de duas cidades, de Dickens: “Esta é, sem dúvida, a melhor coisa que faço e que jamais fiz; este é, sem dúvida, o melhor descanso que terei e que jamais tive”. Alguns críticos do filme interpretaram essa citação como um indício de que o filme “atinge o nível mais nobre da arte ocidental. O filme apela para o centro da tradição norte-americana – o ideal do nobre sacrifício pelo povo comum. Batman deve se humilhar para ser exaltado e renunciar à própria vida para encontrar uma nova. [...] Como máxima figura de Cristo, Batman sacrifica a si para salvar os outros”[3].

Dessa perspectiva, com efeito, Dickens está apenas a um passo de distância de Cristo no Calvário: “Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida?” (Mt 16:25-26 da Bíblia de Jerusalém). O sacrifício de Batman como repetição da morte de Cristo? Essa ideia não seria comprometida pela última cena do filme (Wayne com Selina em um café em Florença)? O equivalente religioso desse final não seria a conhecida ideia blasfema de que Cristo realmente sobreviveu à crucificação e teve uma vida longa e pacífica (na Índia, ou talvez no Tibete, de acordo com algumas fontes)? A única maneira de remir essa cena final seria interpretá-la como um devaneio (alucinação) de Alfred, que se senta sozinho em um café em Florença. Outra característica dickensiana do filme é a queixa despolitizada sobre a lacuna entre ricos e pobres – no início do filme, Selina sussurra para Wayne enquanto eles dançam em um baile exclusivo da elite: “Está vindo uma tempestade, sr. Wayne. É melhor que estejam preparados. Pois quando ela chegar, todos se perguntarão como acharam que poderiam viver com tanto e deixar tão pouco para o resto”. Nolan, como todo bom liberal, está “preocupado” com essa disparidade e reconhece que essa preocupação impregnou o filme:

O que vejo do filme relacionado ao mundo real é a ideia de desonestidade. O filme inteiro trata da chegada do seu ponto crítico. [...] A ideia de justiça econômica perpassa o filme, e por duas razões. Primeiro, Bruce Wayne é um bilionário. Isso tem de ser levado em conta. [...] E segundo, há muitas coisas na vida, e a economia é uma delas, em que precisamos confiar em grande parte do que nos dizem, pois a maioria de nós se sente desprovida das ferramentas analíticas para saber o que está acontecendo. [...] Não acho que existe uma perspectiva de direita ou de esquerda no filme. Ele faz apenas uma avaliação honesta, ou uma exploração honesta, do mundo em que vivemos – de coisas que nos preocupam.[4]

Por mais que os espectadores saibam que Wayne é extremamente rico, eles tendem a se esquecer de onde vem a riqueza dele: fabricação de armas e especulação financeira, e é por isso que as jogadas de Bane na Bolsa de Valores podem destruir seu império – traficante de armas e especulador, esse é o verdadeiro segredo por trás da máscara do Batman. De que modo o filme lida com isso? Ressuscitando o tema arquetípico dickensiano do bom capitalista que se envolve no financiamento de orfanatos (Wayne) versus o mau e ganancioso capitalista (Stryver, como em Dickens). Nessa moralização dickensiana excessiva, a disparidade econômica é traduzida na “desonestidade” que deveria ser “honestamente” analisada, embora não tenhamos nenhum mapeamento cognitivo confiável, e uma abordagem “honesta” como essa nos leva a mais um paralelo com Dickens – é como afirmou Jonathan (corroteirista), irmão de Christopher Nolan, sem rodeios: “Para mim, Um conto de duas cidades foi o retrato mais angustiante de uma civilização reconhecível e descritível que se desintegrou completamente em pedaços. Com os terrores em Paris, na França daquela época, não é difícil imaginar que as coisas dariam tão errado assim”[5]. As cenas do vingativo levante populista no filme (uma multidão sedenta pelo sangue dos ricos que os ignoraram e exploraram) evocam a descrição de Dickens do Reino do Terror, tanto que, embora não tenha nada a ver com política, o filme segue o romance de Dickens ao retratar “honestamente” os revolucionários como fanáticos possuídos, e assim fornece a caricatura do que, na vida real, seriam revolucionários comprometidos ideologicamente no combate da injustiça estrutural. Hollywood conta o que oestablishment quer que saibamos – que os revolucionários são criaturas brutais, sem nenhum respeito pela vida humana. Apesar da retórica emancipatória sobre a libertação, eles têm projetos sinistros por trás. Portanto, quaisquer que sejam as razões, elas precisam ser eliminadas.[6]

Tom Charity destacou corretamente “a defesa que o filme faz do establishmentna forma de bilionários filantrópicos e uma polícia corrupta” – na sua desconfiança das pessoas que resolvem as coisas com as próprias mãos, o filme “demonstra tanto o desejo por justiça social quanto o medo do que realmente pode parecer nas mãos de uma multidão”[7]. Aqui, Karthick levanta uma questão bem clara sobre a imensa popularidade da figura do Coringa no filme anterior: qual o motivo de uma atitude tão hostil para com Bane quando o Coringa foi tratado com tanta mansidão no filme anterior? A resposta é simples e convincente:

O Coringa, que clama por anarquia na sua mais pura manifestação, enfatiza a hipocrisia da civilização burguesa como ela existe, mas é impossível traduzir suas visões em uma ação de massa. Bane, por outro lado, representa uma ameaça existencial ao sistema de opressão. [...] Sua força não é apenas a psique, mas também sua capacidade de comandar as pessoas e mobilizá-las rumo a um objetivo político. Ele representa a vanguarda, o representante organizado dos oprimidos que promove a luta política em nome deles para gerar mudanças sociais. Tamanha força, com o maior dos potenciais subversivos, não tem lugar dentro do sistema. Ela precisa ser eliminada.[8]

No entanto, ainda que Bane não tenha o fascínio do Coringa de Heath Ledger, há uma característica que o distingue desse último: o amor incondicional, a mesma fonte da sua dureza. Em uma cena curta mas comovente, vemos como, em um ato de amor no meio do sofrimento terrível, Bane salvou a garota Talia sem se importar com as consequências e pagando um preço terrível por isso (foi espancado quase até a morte por defendê-la). Karthick tem toda razão ao situar esse acontecimento dentro da longa tradição, de Cristo a Che Guevara, que exalta a violência como uma “obra do amor”, como nas famosas palavras do diário de Che Guevara: “Devo dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado pelo forte sentimento do amor. É impossível pensar em um revolucionário autêntico sem essa qualidade”[9]. O que encontramos aqui nem é tanto a “cristificação de Che”, mas sim uma “cheização do próprio Cristo” – o Cristo cujas palavras “escandalosas” de Lucas (“se alguém vem a mim e não odeia seu próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo” [Lc 14:26]) apontam exatamente na mesma direção que a famosa citação de Che: “É preciso ser duro, mas sem perder a ternura”. A afirmação de que “o verdadeiro revolucionário é guiado pelo forte sentimento do amor” deveria ser interpretada juntamente com a declaração muito mais “problemática” de Guevara sobre os revolucionários como “máquinas de matar”:

O ódio é um elemento da luta; o ódio impiedoso do inimigo que nos ergue acima e além das limitações naturais do homem e nos transforma em eficazes, violentas, seletivas e frias máquinas de matar. Assim devem ser nossos soldados; um povo sem ódio não derrota um inimigo brutal.

Ou, parafraseando Kant e Robespierre mais uma vez: o amor sem crueldade é impotente; a crueldade sem amor é cega, paixão efêmera que perde todo seu vigor. Guevara está parafraseando as declarações de Cristo sobre a unidade do amor e da espada – em ambos os casos, o paradoxo subjacente consiste nisto: o que torna o amor angelical, o que o eleva acima da mera sentimentalidade instável e patética, é essa mesma crueldade, o seu elo com a violência – é esse elo que eleva o amor acima e além das limitações naturais do homem e o transforma em pulsão incondicional. É por isso que, voltando a O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o único amor autêntico no filme é o de Bane, o “amor do terrorista”, em nítido contraste a Batman.

Nesse mesmo viés, a figura de Ra’s, pai de Talia, merece um exame mais cuidadoso. Ra’s é uma mistura de características árabes e orientais, um agente do virtuoso terror lutando para contrabalancear a corrompida civilização ocidental. O personagem é interpretado por Liam Neeson, ator cuja persona na tela geralmente irradia uma nobre bondade e sabedoria (ele faz o papel de Zeus em Fúria de Titãs), e que também representa Qui-Gon Jinn em A Ameaça Fantasma, primeiro episódio da série Star Wars. Qui-Gon é um cavaleiro Jedi, mentor de Obi-Wan Kenobi, bem como o descobridor de Anakin Skywalker, acreditando que Anakin é O Escolhido que restituirá o equilíbrio do universo, ignorando os alertas de Yoda sobre a natureza instável de Anakin; no final de A Ameaça Fantasma, Qui-Gon é morto por Darth Maul[10].

Na trilogia Batman, Ra’s também é professor do jovem Wayne: em Batman Begins, ele encontra Wayne em uma prisão chinesa; apresentando-se como Henri Ducard, ele oferece um “caminho” para o garoto. Depois que Wayne é libertado, ele segue até a fortaleza da Liga das Sombras, onde Ra’s está esperando, embora se apresente como servo de outro homem chamado Ra’s Al Ghul. Depois de um longo e doloroso treinamento, Ra’s explica que Bruce deve fazer o que for preciso para combater o mal, embora revele que eles treinaram Bruce para liderar a Liga com o intuito de destruir Gotham City, que eles acreditam ter se tornado irremediavelmente corrupta. Portanto, Ra’s não é a simples encarnação do Mal: ele representa a combinação de virtude e terror, a disciplina igualitária que combate um império corrupto, e assim pertence ao fio condutor (na ficção recente) que vai de Paul Atreides em Duna até Leônidas em300 de Esparta. E é crucial que Wayne seja seu discípulo: Wayne foi formado como Batman por ele.

Duas críticas do senso-comum se apresentam aqui. A primeira é de que houveviolência e matanças monstruosas nas revoluções reais, desde o estalinismo ao Khmer Vermelho, por isso está claro que o filme não está apenas engajado na imaginação revolucionária. A segunda, oposta, é esta: o atual movimento Occupy Wall Street não foi violento, seu objetivo definitivamente não era um novo reino do terror; na medida em que se espera que a revolta de Bane extrapole a tendência imanente do movimento OWS, o filme, portanto, deturpa de maneira absurda seus objetivos e estratégias. Os atuais protestos antiglobalistas são o exato oposto do terror brutal de Bane: este representa a imagem espelhada do terror estatal, uma seita fundamentalista e homicida dominada e controlada pelo terror, e não a sua superação por meio da auto-organização popular… As duas críticas compartilham a rejeição da figura de Bane. A resposta a essas duas críticas é múltipla.

Primeiro, devemos esclarecer o atual escopo da violência – a melhor resposta para a afirmação de que a reação violenta da multidão à opressão é pior que a opressão original foi dada por Mark Twain no seu Um ianque na corte do rei Artur: “Houve dois ‘Reinos do Terror’, se bem nos lembramos; um forjado na incandescente paixão, outro no desumano sangue frio. [...] Mas todos os nossos temores, que os tenhamos pelo menor terror, o momentâneo, por assim dizer; pois o que é o terror da morte súbita pelo machado se comparado à morte em toda uma vida de fome, frio, insulto, crueldade e desilusão? O cemitério de qualquer cidade pode bem conter os caixões cheios desse breve terror, que todos aprendemos com afinco a temer e lamentar; mas a França inteira mal conteria os caixões cheios daquele outro terror, mais antigo e verdadeiro, o terror de amargura e atrocidade indizíveis, que nenhum de nós aprendeu a encarar em toda sua amplitude ou desprezo que merece”.

Depois, deveríamos desmistificar o problema da violência, rejeitando afirmações simplistas de que o comunismo do século XX agiu com uma violência homicida excessiva demais, e de que deveríamos tomar cuidado para não cair mais uma vez nessa armadilha. Com efeito, trata-se de uma terrível verdade – mas esse foco voltado diretamente para a violência obscurece uma questão basilar: o que houve de errado no projeto comunista do século XX como tal, qual foi o ponto fraco imanente desse projeto que impulsionou o comunismo a recorrer (não só) aos comunistas no poder para a violência irrestrita? Em outras palavras, não basta dizer que os comunistas “negligenciaram o problema da violência”: foi um aspecto sócio-político mais profundo que os impulsionou à violência. (O mesmo se aplica à ideia de que os comunistas “negligenciaram a democracia”: seu projeto geral de transformação social impôs sobre eles esse “negligenciar”.) Portanto, não é apenas o filme de Nolan que foi incapaz de imaginar o poder autêntico do povo – os próprios movimentos “reais” de emancipação radical também não o fizeram e continuam presos nas coordenadas da antiga sociedade, e, por essa razão, muitas vezes o efetivo “poder do povo” foi esse horror violento.

E, por último, mas não menos importante, é muito simples dizer que não há potencial violento no movimento OWS e similares – há sim uma violência em jogo em todo processo emancipatório autêntico: o problema com o filme é que ele traduziu essa violência de uma maneira errada em terror homicida. Qual é, então, a sublime violência em relação à qual até mesmo o mais brutal assassinato é um ato de fraqueza? Façamos uma digressão em Ensaio sobre a lucidez, de José Saramago, que conta a história dos estranhos eventos na capital sem nome de um país democrático não identificado. Quando a manhã do dia das eleições é arruinada por chuvas torrenciais, a quantidade de eleitores presentes é extremamente baixa, mas o tempo melhora no meio da tarde e a população segue em massa para as seções eleitorais. No entanto, o alívio do governo logo acaba quando a contagem de votos revela que 70% das cédulas na capital foram deixados em branco. Frustrado por esse aparente lapso civil, o governo dá aos cidadãos a chance de refazer o fato uma semana depois, em mais um dia de eleição. O resultado é pior: agora 83% dos votos foram brancos. Os dois principais partidos políticos – o governante partido da direita (p.d.d.) e seu principal adversário, o partido do meio (p.d.m.) – entram em pânico, enquanto o infeliz e marginalizado partido da esquerda (p.d.e.) apresenta uma análise afirmando que os votos brancos são, essencialmente, um voto por sua agenda progressiva. Sem saber como responder a um protesto benigno, mas certo de que existe uma conspiração antidemocrática, o governo rapidamente rotula o movimento de “terrorismo puro e duro” e declara estado de emergência, permitindo a suspensão de todas as garantias constitucionais e adotando uma série de medidas cada vez mais drásticas: os cidadãos são apanhados aleatoriamente e desaparecem em interrogatórios secretos, a polícia e a sede do governo saem da capital, proibindo a entrada e a saída da cidade e, por fim, fabricando seu próprio líder terrorista. A cidade toda continua funcionando quase normalmente, as pessoas se esquivam de todas as ofensivas do governo com uma harmonia inexplicável e com um verdadeiro nível gandhiano de resistência não violenta… isso, a abstenção dos eleitores, é um exemplo de “violência divina” verdadeiramente radical que desperta reações de pânico brutal nos detentores do poder.

Voltando a Nolan, a trilogia dos filmes do Batman, portanto, segue uma lógica imanente. Em Batman Begins, o herói continua dentro dos limites de uma ordem liberal: o sistema pode ser defendido com métodos moralmente aceitáveis. O Cavaleiro das Trevas é de fato uma nova versão de dois clássicos de faroeste de John Ford (Sangue de Heróis e O Homem Que Matou o Facínora) que retratam como, para civilizar o ocidente selvagem, é preciso “publicar a lenda” e ignorar a verdade – em suma, como nossa civilização tem de se fundamentar em uma Mentira: é preciso quebrar as regras para defender o sistema. Ou, dito de outra forma, em Batman Begins, o herói é simplesmente uma figura clássica do vigilante urbano que pune os criminosos naquilo que a polícia não pode; o problema é que a polícia, órgão responsável pela imposição das leis, relaciona-se de maneira ambígua à ajuda de Batman: enquanto admite sua eficácia, ela também considera Batman uma ameaça ao seu monopólio do poder e uma testemunha da sua ineficácia. No entanto, a transgressão de Batman aqui é puramente formal, consiste em agir em nome da lei sem a legitimação para fazê-lo: nos seus atos, ele nunca viola a lei. O Cavaleiro das Trevas muda essas coordenadas: o verdadeiro rival de Batman não é o Coringa, seu oponente, mas Harvey Dent, o “cavaleiro branco”, o novo e agressivo promotor público, um tipo de vigilante oficial cuja batalha fanática contra o crime o conduz ao assassinato de pessoas inocentes e o destrói. É como se Dent fosse a resposta à ordem legal da ameaça de Batman: contra a vigilante luta de Batman, o sistema gera seu próprio excesso ilegal, seu próprio vigilante, muito mais violento que Batman, violando diretamente a lei. Desse modo, há uma justiça poética no fato de que, quando Bruce planeja revelar ao público sua identidade como Batman, Dent o interrompe e se apresenta como Batman – ele é “mais Batman que o próprio Batman”, efetivando a tentação à qual Batman ainda era capaz de resistir. Então quando, no final do filme, Batman assume os crimes cometidos por Dent para salvar a reputação do herói popular que incorpora a esperança para o povo comum, seu ato modesto tem uma ponta de verdade: Batman, de certa forma, devolve o favor a Dent. Seu ato é um gesto de troca simbólica: primeiro Dent toma para si a identidade de Batman, e depois Wayne – o Batman verdadeiro – toma para si os crimes de Dent.

Por fim, O Cavaleiro das Trevas Ressurge ultrapassa ainda mais os limites: Bane não seria Dent levado ao extremo, à sua autonegação? Dent que chega à conclusão de que o sistema é injusto, de modo que, para combater a injustiça com eficácia, é preciso atacar diretamente o sistema e destruí-lo? E, como parte da mesma atitude, Dent que perde as últimas inibições e está pronto para usar toda sua brutalidade assassina para atingir esse objetivo? O advento dessa figura muda a constelação inteira: para todos os participantes, inclusive Batman, a moralidade é relativizada, torna-se uma questão de conveniência, algo determinado pelas circunstâncias: é uma guerra de classes aberta, tudo é permitido para defender o sistema quando estamos lidando não só com gângsteres malucos, mas com uma revolta popular.

Será, então, que isso é tudo? O filme deveria ser categoricamente rejeitado por quem se envolve em lutas emancipatórias radicais? As coisas são mais ambíguas, e é preciso interpretar o filme da maneira que se interpreta um poema político chinês: as ausências e as presenças surpreendentes também contam. Recordemos a antiga história francesa sobre uma esposa que reclama do melhor amigo do marido, dizendo que o amigo tem se insinuado sexualmente para ela: leva algum tempo para que o amigo surpreso entenda a mensagem – de uma maneira invertida, ela o está incitando a seduzi-la… É como o inconsciente freudiano que não conhece a negação: o que importa não é um juízo negativo sobre algo, mas o simples fato de que esse algo seja mencionado – em O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o poder do povo ESTÁ AQUI, encenado como um Evento, em um passo fundamental dado a partir dos oponentes habituais de Batman (criminosos megacapitalistas, gângsteres e terroristas).

Temos aqui a primeira pista – a perspectiva de que o movimento OWS tome o poder e estabeleça a democracia do povo em Manhattan é nítida e completamente tão absurda e irreal que não podemos deixar de fazer a seguinte pergunta: POR QUE UM IMPORTANTE BLOCKBUSTER DE HOLLYWOOD SONHA COM ISSO, POR QUE EVOCA ESSE ESPECTRO? Por que sequer sonhar com o OWS culminando em uma violenta tomada de poder? A resposta óbvia (manchar o OWS com acusações de que ele guarda um potencial terrorista totalitário) não é o bastante para explicar a estranha atração exercida pela perspectiva do “poder do povo”. Não admira que o funcionamento apropriado desse poder continue branco, ausente: nenhum detalhe é dado sobre como funciona esse poder do povo, sobre o que as pessoas mobilizadas estão fazendo (é preciso lembrar que Bane diz que as pessoas podem fazer o que quiserem – ele não impõe sobre elas a sua própria ordem).

É por isso que a crítica externa do filme (“sua retratação do reino do OWS é uma caricatura ridícula”) não basta – a crítica tem de ser imanente, tem de situar dentro do próprio filme uma multiplicidade de sinais que aponte para o Evento autêntico. (Recordemos, por exemplo, que Bane não é apenas um terrorista brutal, mas sim uma pessoa de profundo amor e sacrifício.) Em suma, a ideologia pura não é possível, a autenticidade de Bane TEM de deixar rastros na tecitura do filme. É por isso que o filme merece uma leitura mais íntima: o Evento – a “república do povo de Gotham City”, a ditadura do proletariado sobre Manhattan – é imanente ao filme, é o seu centro ausente.


________________________________________

[1] Tyler O’Neil, “Dark Knight and Occupy Wall Street: The Humble Rise”,Hillsdale Natural Law Review, 21 de julho de 2012.
[2] Karthick RM, “The Dark Knight Rises a ‘Fascist’?”, Society and Culture, 21 de julho de 2012.
[3] Tyler O’Neil, cit.
[4] Christopher Nolan, entrevista na Entertainment 1216 (julho de 2012), p. 34.
[5] Entrevista de Christopher e Jonathan Nolan ao Buzzine Film.
[6] Karthick, cit.
[7] Forrest Whitman, “The Dickensian Aspects of The Dark Knight Rises”, 21 de julho de 2012.
[8] Karthick, cit.
[9] Citado em Jon Lee Anderton, Che Guevara: A Revolutionary Life, New York: Grove 1997, p. 636-637.
[10] Notemos a ironia do fato de que o filho de Neeson é um xiita devoto, e que o próprio Neeson às vezes fala sobre a sua futura conversão ao islamismo. 

***

artigo publicado no blog da BOITEMPO EDITORIAL no link http://boitempoeditorial.wordpress.com/2012/08/08/ditadura-do-proletariado-em-gotham-city-artigo-de-slavoj-zizek-sobre-batman-o-cavaleiro-das-trevas-ressurge/


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"o fardado alucinado que te agride e ofende" ..relato de pesquisa


arte de Carlos Latuff
após ler o relato publicado no blog do G10, senti o dever de divulgar uma cena a qual presenciei quando estava fazendo a pesquisa de campo na FASE (CASE-Pelotas)...

"em mais um dia de pesquisa, como vários outros.. chego à FASE de manha, e estaciono o carro bem a frente da instituição.. saliente-se que o meio feio da calçada era branco e sequer tinha alguma placa indicando que era proibido estacionar...estava aguardando para ser atendido pelos profissionais, que me auxiliariam na pesquisa, encaminhando os jovens, um a um, para que pudesse dar continuidade nas entrevistas..estavam em reunião e eu aguardando no hall de entrada, juntamente com a secretária da casa..quando então, entra neste ambiente, um policial militar que faz a segurança do perímetro, esbravejando, em elevado tom de voz e severidade, perguntando de quem era o carro que estava estacionado... eu levando a mão e digo que é meu!!

eu não estava de terno, gravata, ou qualquer parafernália classista auto-identificadora do gênero... então ele se dirige a mim com voz grossa, tom elevado e peito estufado, e pergunta.. o TU é pai de marginal? tá fazendo o que aqui?.. pode tirar o carro la da frente..não pode ficar lá!! eu apenas digo que, não havia nada que indicasse que não podia... e ele diz que mesmo assim não pode, pois oferece risco ao seu perímetro..!! ele reafirma a pergunta..se eu tava esperando pra ver vagabundo!!

a secretária, envergonhada, diz - ele é professor! Ele ainda com o tom de voz elevado, pergunta, é professor da casa...eu digo, não, não sou professor da casa..sou advogado e mestrando da UCPel (eu não gosto disso, mas ele precisava! e diga-se de passagem, nem atuando estou, ou estava!! mas sobretudo queria ver a sua reação - e vi!!) e to aqui fazendo uma pesquisa para o mestrado da Universidade Católica de Pelotas..
arte de Carlos Latuff

a partir de então ele muda o tom de voz e murcha o peito... eu fui me levantando para me dirigir ao carro e retirar de onde estava... e ele me acompanha..não obstante tenha baixado o tom de voz, o discurso preconceituoso continua...me dá tapinha nas costas e diz.. DR..por favor, o Sr. tira o carro de la.. porque o sr. sabe né.. daqui a pouco chega pai, mãe, família de marginal ai, e vão ver seu carro la e eu não vou ter o que dizer.. já vai dar encrenca...o sr. faz o seguinte.. eu abro o portão e o sr. coloca no estacionamento.. porque o sr. sabe.. aqui do lado também tem o presidio.. e é perigoso.. Eu disse não.. muito obrigado, mas eu vou colocar do outro lado da rua.!!

quando mudei o carro de lugar.. e voltei a entrar no patio.. ele me disse.. obrigado professor.. pela gentileza e compreensão!!!entrei novamente na sala onde estava.. e comento com a secretária.. como aquele sr. era educado!!  e ela diz.. ah, não dá bola.. ELES são sempre assim!!!"
(compreensão???? gentileza??? eles não conhecem o que é isso !!!!!!!)

obviamente que este relato não chega aos pés do trazido pelo caso de violência física e tortura verificado em PoA... mas demonstra o animus da bendita socioeducação..!!






domingo, 2 de dezembro de 2012

rev. Publicatio jan-jun 2012 - A justiça entre o espirito do perdão e o da vingança


Divulgando a mais recente edição da revista Publicatio do curso de ciências sociais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), contendo o artigo "A Justiça entre o Espirito do Perdão e o Espírito da Vingança" de autoria de Jackson da Silva Leal.

Periódico que pode ser acessado na integra através do link: http://www.revistas2.uepg.br/index.php/sociais/issue/current/showToc
A Justiça entre o Espirito do perdão e o da Vingança