Mostrando postagens com marcador problemática de gênero. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador problemática de gênero. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de setembro de 2012

revista Publico e Privado do ppg em politicas publicas da Universidade Estadual do Ceará n. 19 jan-jun 2012

Venho divulgar a publicação da mais recente edição em seu n. 19 da revista publico e privado da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Com o dossiê: Igualdades e Diferenças na Teoria e no Contexto das Relações Sociais de Gênero, com a inclusão do artigo "desvelar a feminilidade da amazona ciborgue: a construção da alteridade" de autoria de Jackson da Silva Leal e Raquel Fabiana Lopes Sparemberger; tratando de duas metáforas, o ciborgue de Donna Haraway e a figura mitológica da amazona em uma junção perturbadora da sociedade patriarcal. Analisando-se, a partir de tal junção mítico-metafórica a questão dos movimentos sociais como movimentos insurgentes e emancipadores!
A revista pode ser acessada na íntegra no seguinte link: http://www.seer.uece.br/?journal=opublicoeoprivado&page=index.
Desvelar a Feminilidade Da Amazona Ciborgue - J S Leal e RFL Sparemberger Rev Pub e Privado UECE

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A cruzada humanitária do capital

Post para divulgar e indicar um ótimo filme que é “A informante” (título original: The Whistleblower) e que trata do paradigma ocidental de direitos humanos na cruzada humanitária capitaneada pelos Estados Unidos que leva /impõe ao mundo seu modus vivendi.

O filme trata em especial do caso do tráfico de seres humanos para fins sexuais, em específico o caso da transição ou pacificação da região dos Bálcãs e a influência da Organização das Nações Unidas.. órgão central (para não dizer único reconhecido) no que diz respeito aos human rights...

Retrata de forma ímpar o entrecruzamento de interesses privados que manejam a ONU, e assumem um único sentido, a obtenção e maximização do lucro, ao custo de vidas e sofrimentos humanos, ao passo que se esforçam, unicamente, por manter uma imagem falaciosa internacional de luta humanitária, correção moral; ética; neutralidade, profissionalismo, etc...

Deixa claro ainda, a importância econômica das guerras modernas (e conflitos de menor projeção), sobretudo para as agências privadas (que atuam a partir da terceirização governamental americana), tendo em vista que as mesmas agências (que o filme denuncia), ainda mantém contrato com o governo dos Estados Unidos para atividades humanitárias no Iraque e Afeganistão..

Ficha técnica A Informante (The Whistleblower)
Sinopse: A história verídica de Kathryn Bolkovac, uma ex-policial que aceitou trabalhar na missão de paz da ONU na Bósnia. Depois de ser demitida por expor o envolvimento dos agentes da ONU no tráfico sexual no país, ela processou seus empregadores
Diretor: Larysa Kondracki
Ano: 2010
Duração: 98min
País: Alemanha / Canada
Gênero: Drama
treiler:

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia internacional da Mulher – do clichê à dominação quotidiana


Neste dia 8 de março se difundem e reproduzem comemorações, felicitações, promessas, festejos... Entretanto, entendo que neste dia, a maioria dos indivíduos deveria dirigir um pedido de desculpas pela reprodução de posturas que mantenham o paradigma patriarcal e sexista que vigora, e com força, na modernidade.

Não pretendo aqui desqualificar o dia ou as comemorações dos movimentos e grupos que lutam pela liberdade, alteridade, diversidade ao longo dos 365 dias ao ano, e ano após ano.. mas sim realizar uma reflexão em torno dessas datas criadas ou permitidas pela modernidade a partir de uma ideia de fetichização e louvação da pseudo-humanidade que é imposta, ao menos discursivamente, enquanto que nas práticas reais, a violência segue silenciosa (as vezes nem tanto) e sub-repticiamente sendo reproduzida e ampliada!.. ou ainda, meramente mais um motivo para voltar às compras.

Neste dia de hoje, penso que começa como mais um dia de luta, de produção de conhecimento e de se permitir reconhecer a diferença e a diversidade, e termina, quiçá, como sendo mais uma vitória, a cada pessoa com que se consiga agregar a esta luta, e romper com o ciclo de violência (num sentido bem pra além da violência física).


Assim, é de uma poesia e potencial de reflexão fantásticos a colocação de Eduardo Galeano, acerca do dogma do pecado original:

Se Eva tivesse escrito o Gênesis, como seria a primeira noite de amor do gênero humano? Eva teria começado por esclarecer que não nasceu de nenhuma costela, não conheceu qualquer serpente, não ofereceu maçã a ninguém e tampouco Deus chegou a lhe dizer ‘parirás com dor e teu marido te dominará’. E que, enfim, todas essas histórias são mentiras descaradas que Adão contou aos jornalistas (GALEANO, Eduardo. De pernas pro Ar. p. 70)

Assim, merecem felicitações, as mulheres e os homens, ainda que sem se aperceber, rompem com esta lógica invisível e insensível de determinações de espaços, de subjetividades, de identidades; são, portanto, transgressores insurgentes, contra hegemônicos neste sistema.

Sistema este que nada mais é do que um processo sistemático de violação e desconstrução do potencial cultural e identitário do feminino. Que se iniciou tão logo a sociedade começa a se estruturar como politizada, organizada e se estende ou perpetua até a modernidade:

Ao passo que, diante desta luta e possibilidade de sucesso ou se transformar no insucesso de toda causa ou objetivos cristãos pré- capitalistas de competição, produção, demonstração de poder e atribuição de dor ao prazer, a Cristandade, através do fenômeno da Santa Inquisição, dizima predominantemente as mulheres, aprofunda ainda mais o repúdio à sua cultura, sua história, corrompe seus valores e características, atributos e costumes, transformando-as em loucas, possuídas, bruxas (...); passando a gerir - criando aqui uma metáfora - o verdadeiro demônio desestabilizador da sociabilidade humana, a re-evolução científico-produtiva capitalista que se desenvolve nos séculos porvir, tendo a mulher como seu antagônico e oponente, dentro de casa ou no fundo de um calabouço, simbolizada pela “maldita” Eva, das santas escrituras, que a todas condenou, eternamente.
O calabouço veio com a modernidade, sob a bandeira da democracia, disfarçado de igualdade de escolhas e oportunidades para todos.  Potencializado pelo fenômeno, não novo, mas em ampla expansão, chamado globalização que extrapola os limites de possibilidades e oportunidades, de lucro, necessitando cada vez mais de demanda, consumidores desta lógica, que não se trata apenas de consumo, para de uma ideologia de tudo ter preço (LEAL; FAGUNDES; et all. Globalização e a modernidade Varônica – disponível para download)

Assim, ficam aqui as minhas felicitações aos indivíduos, aos grupos que subjetivam as dores do sistema e sem subtrair a voz dos envolvidos (vitimados) seguem e avançam em sua luta, à uma produção de conhecimento a partir de uma práxis reflexiva, na perspectiva de formação de corpos, subjetividades e culturas fortes a ponto de combater o depredador patriarcal, como diria Joaquín Herrera Fores.

E ainda, quiçá pudesse ficar o meu pedido de desculpas no lugar de todos, pelo ano (s) no qual se (re)produziu violência, vitimização, dominação..

Gostaria que este dia pudesse ser apenas um dia de reflexão, para que ele pudesse ser o último deste paradigma simbólico perverso!!!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Propagação do Eco RE-produtivo


Esta postagem surge após o amigo Lucas Machado, que diga-se de passagem é colunista deste espaço, ter me enviado por e-mail o material produzido pelo Governo do Equador. No mesmo sentido da campanha brasileira, busca travar uma luta contra o patriarcalismo através da tomada de consciência e da des-subjetivação da condição de dominado.

Assim, traz-se a divulgação deste material, com o intuito de fortalecer e comunicar esta luta.

Neste sentido, gostaria de trazer ainda a contribuição de Alain Touraine, que no ultimo ponto de sua obra “Um novo paradigma: para compreender o mundo de hoje” (2007), o autor trabalha como sendo a luta anti-patriarcal um dos estandartes da luta anti-imperial. Tendo em vista diversos elementos que propiciam a esta luta a sua importância e protagonismo.

Primeiro, pelo fato de que a Império foi erigido a partir de relações hierarquizadas e verticais, o que produziu e intensifica a problemática de gênero, se identificando a luta contra o império e contra as suas dinâmicas sexistas.

Em segundo, o autor entende este movimento (a-corpóreo), como sendo um dos principais exemplos da modalidade de luta que é travada da modernidade líquida, sendo esta, uma sociedade do “fim do social” como ele denomina.

Esta categoria que se apresenta, não como o fim das instituições, mas sim como o fim da autonomia (ou até mesmo antagonismo) da instituição frente aos seus membros. Devendo, na modernidade, a mudança surgir e se desenvolver a partir dos indivíduos afetados, e obviamente que a partir da tomada de consciência. E que muito bem poderá encarnar em movimentos e instituições, mas nunca subtrair o protagonismo dos envolvidos.

O autor aponta ainda, que a luta anti-patriarcal, talvez tenha sido uma das que mais avançou, residindo hoje, não na busca desta ou daquela condição social, mercado ou politica, mas sim no próprio indivíduo, o respeito às suas individualidades. Neste sentido, coloca o autor:

é reivindicando uma sexualidade independente das suas funções de reprodução e de maternidade que as mulheres se constituem verdadeiramente em movimento social e avançam o mais longe possível – mais longe do que através da luta pela igualdade e contra a discriminação (TOURAINE, 2007. p. 217)

A isto que o autor chama de retorno do individuo a si mesmo, visando uma produção de autoconhecimento, auto respeito, produção de alteridade, e proliferação de riqueza de heterogeneidades humano-culturais.

Para o autor, é esta consciência, de que denomina de pós-feminismo, que permitirá a sociedade avançar e instaurar um novo paradigma, passando-se da sociedade dos homens, para a sociedade das mulheres, não num sentido de inversão de polos de dominadores e dominados, mas num sentido de consciência dos seres de si mesmos e construção reconhecimento de sujeitos, de diálogo de culturas, de um cosmopolitismo multicultural.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Fazendo Eco que re-produz


Conforme solicitação do prof. Salo de Carvalho, em seu blog (anti-blog de criminologia), repasso e divulgo a campanha do Governo Federal contra a violência de gênero.


Tal campanha não se fundamenta em qualquer veículo punitivo, como é a praxe, mas sim através de um processo de des-subjetivação da submissão do gênero feminino. Um processo de desconstrução do estereótipo construído juntamente com a sociedade organizada "politico-varonicamente".

Nesse sentido, gostaria ainda, de trazer a reflexão possibilitada através de Negri e Hardt (IMPERIO, 2006) mais uma vez, no que diz respeito à comunicação dos processos de luta. E tenho certeza que é neste sentido que o prof. Salo pede a divulgação da campanha. Tendo em vista que a maneira difusa e em rede na qual funciona o sistema de opressão moderna, somente através de uma luta engajada e interconectada para fazer frente! Assim colocam os autores:

Deveríamos ser capazes de reconhecer, em outras palavras, as características fundamentalmente novas que essas lutas apresentam, apesar de sua diversidade radical. Primeiro, cada luta por intermédio de condições locais firmemente arraigadas, salta imediatamente para o nível global e ataca a constituição imperial em sua generalidade. Segundo, todas as lutas eliminam a distinção tradicional entre conflitos econômicos e políticos. As lutas são ao mesmo tempo econômicas, politicas e culturais – e, por consequência, são lutas constituintes, que criam novos espaços públicos e novas formas de comunidade (NEGRI; HARDT, 2006: 74-5)

Nesta linha ainda, gostaria de repassar o artigo “DOMINAÇÃO MASCULINA E PRISÃO: o contrato sexual e o encarceramento feminino” de autoria deste que vos fala; publicado originariamente no sítio do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e fruto da pesquisa do Grupo Interdisciplinar e Trabalhos e Estudos Criminais Penitenciários (GITEP/UCPel) que trata das sobrecargas de punição sobre a mulher encarcarcerada na 5ª Região Penitenciária do Rio Grande do Sul; e, o artigo  “A globalização e a modernidade varônica”, de autoria deste que vos fala em comunhão de esforços com outros colegas, apresentado no Seminario Permanente de Derechos Humanos “Xavier Gorostiaga” (2008). Ambos acessíveis através deste blog (em sua aba esquerda), e apresentam uma abordagem acerca da problemática de gênero e sua violência invisível.

Desta forma, busca-se fortalecer o conhecimento e a capacidade reflexiva em torno da problemática de gênero, e também fazer ecoar as lutas que são travadas diariamente por homens, mulheres e seus movimentos, e assim, poder combatê-la da mesma forma como foi criada, no corpo e na mente de cada indivíduo dotado de sua singularidade e alteridade!